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terça-feira, dezembro 29, 2015

É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.



Para Wilhelm Reich, o “núcleo biológico” ou “núcleo vital” é o coração. Ele é a fonte de energia positiva dos seres humanos, que exprime a capacidade de amar e que une o indivíduo ao cosmos.
É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.

Nos últimos 20 anos, pesquisadores vem trazendo outras informações sobre o coração,  como Cindy Dale, em seu livro The Subtle Body (O Corpo Sutil)

“O coração é o centro físico de um sistema circulatório com 75 trilhões de células. É também o centro eletromagnético do corpo, emanando 5 mil vezes mais eletromagnetismo que o cérebro e seis vezes mais eletricidade. Cerca de 60 a 65% de suas células são neurais, exatamente como os neurônios cerebrais”.

Estudos científicos, como o de Joseph Chilton Pearce no livro The Biology of Transcendence (A Biologia da Transcendência),  indicam  que dentro do coração há um “pequeno cérebro”, um sistema nervoso independente, com aproximadamente 40 mil neurônios. Esse núcleo é gerador de uma inteligência própria,  que processa informações e  envia sinais para o sistema límbico cerebral (responsável pelo processamento das emoções) e para o neocórtex (a parte onde acontecem os pensamentos).
 Existe um fluxo constante de troca de informações do cérebro para o coração e do coração para o cérebro.
 “Nosso cérebro emocional-cognitivo tem uma conexão direta e neural com o coração. Por meio das conexões entre os neurônios, sinais positivos e negativos de nossas respostas ao momento presente são enviados a cada momento para o coração... O sistema neural do coração não tem capacidade de perceber ou analisar em detalhes o contexto dessas mensagens emocionais e mentais que nos chegam do sistema cerebral límbico e cortical, mas é capaz de validar essas mensagens positivas ou negativas respondendo eletromagneticamente com frequencias coerentes (suaves e harmônicas, que surgem diante de emoções positivas) ou incoerentes (desiguais e desarmônicas, manifestadas diante de emoções negativas) e dar partida a várias reações corporais. Dessa maneira, o cérebro, o corpo e o próprio coração são capazes de responder inteiramente à realidade circundante”.


Outros estudos Joseph Pearce indicam que campo eletromagnético do coração e sua amplitude permite que haja influência entre campos de pessoas.
“Basicamente, um campo eletromagnético contém informação. Se nossos campos se comunicam e ressoam em conjunto, estamos trocando informação de forma não consciente.”



A importância do coração é também expressada por várias tradições religiosas, que só agora os cientistas estão descobrindo e Reich já citava.
“O coração inteligente é o grande segredo de todas as tradições espirituais. Estar em sintonia com essa vibração harmônica nos faz mais cooperativos, criativos, abertos e menos agressivos e competitivos... “Esse é o caminho que vai nos tirar do caminho da destruição para o caminho da regeneração” Gregg Braden,geólogo e pesquisador. (Gregg Braden).
As diferentes formas de budismo localizam a mente no coração, não no cérebro.
Muitos lamas tibetanos, quando falam sobre a mente em seus ensinamentos, apontam na direção do meio do peito.
Na medicina chinesa, o coração é considerado a sede da inteligência e recebe o nome de imperador.
Para a maioria das tradições orientais, o coração (ou o meio do peito) é a porta para uma realidade transcendente.
Para os estudiosos de Chakras, o cardíaco fica no  centro do coração. Sua função essencial é a compaixão. A habilidade de amar profundamente e de formar relacionamentos fortes e inerentes à condição humana.
Na cultura Africana Bantu, a cabeça (Ori) vem em segundo plano, pois o coração ( Muxima) é o elo mais importante do ser humano.



Eles dizem:
“Uma cabeça pode ser inteligente, mais sem coração não presta para a aldeia.
Uma cabeça pode criar coisas, mais sem coração as coisas não terão serventia para a aldeia.
Uma cabeça pode ser bem feita e bela, mais sem coração não chamará a atenção para o matrimônio.
Uma cabeça pode ser de um ótimo guerreiro, mais sem coração ele lutará apenas para si mesmo.”
 

Reich afirmou que a “ tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa de sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual “ e que  Se uma pessoa encontra obstáculos intransponíveis nos seus esforços para experimentar o amor ou a satisfação das exigências sexuais, começa a odiar”. Nestes nossos tempos, de relacionamentos líquidos, de tantas expressões de raiva e ódio, não há como para mim, não lembrar de Reich
que foi acusado de ser utópico e querer eliminar o desprazer do mundo, por quem não o compreendia. Para ele:

Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.”

O que Reich nos propôs continua atual, é nossa luta para nos humanizarmos e com isso sermos capazes de amar e ser potentes diante da vida.
Tania Jandira R. Ferreira – dezembro/2015.




quinta-feira, setembro 17, 2015

Pessoas brilham com luz própria



Pensando as pessoas com Eduardo Galeano
 

"Cada pessoa brilha com luz própria, entre todas as outras.
  Existem fogos grandes e fogos pequenos, 

  e fogos de todas as cores.
  Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento,
  e existe g
ente de fogo louco, que enche o ar de faíscas.
  Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam.
  Mas outros, outros ardem a vida com tanta vontade 

  que não se pode olhá-los sem pestanejar,
  e quem se aproxima se incendeia."

quinta-feira, agosto 27, 2015

quarta-feira, agosto 26, 2015

CORAÇÕES ENJAULADOS



O ser humano se estrutura a partir de situações vividas, de como se relaciona com o mundo, com sua cultura e  com a sociedade em que vive.
A conseqüência da necessidade do indivíduo se adaptar ao seu meio sócio cultural é a restrição das expressões espontâneas; com isso há estagnação de emoções que são energias, que se concentram em pontos determinados do corpo, deixando outros sem energia suficiente, provocando alterações. Essas alterações tanto ocorrem pela falta de energia em determinada parte do corpo quanto pelo excesso de energia de forma bloqueada, sem movimento, sem fluidez também, em alguma parte do corpo.

Quando não se tem a possibilidade de ser autêntico, de agir com espontaneidade, isso se registra no corpo mediante tensões musculares.
Com a perda de nossa capacidade de expressar o que sentimos e pensamos, vamos perdendo nossa autenticidade, nossa espontaneidade.
É muito comum abrirmos mão de nossa expressão mais autêntica e assumirmos uma imagem que acabamos por aceitar como verdadeira.
Nem sempre podemos ou devemos expressar tudo que sentimos ou pensamos, mas essa é uma situação diferente daquela em que o indivíduo perde a capacidade de fazê-lo e de percebê-lo.
O maior fluxo de energia que gera níveis maiores de pulsação faz com que haja mais vida em nós, em nossas ações; permite maior envolvimento com as atividades que nos cabe realizar. É o equilíbrio entre expansão e contração que gera essa possibilidade.

O Corpo e  a  psique são faces do ser humano. O corpo expressa os afetos da psique e a psique expressa a fluidez ou a rigidez do corpo.
Corpo, emoções e linguagem se entrelaçam na ação e nas interações do ser humano. Atuar na psique do ser humano implica reverberações no seu corpo. Atuar no corpo implica reverberações na psique.

“Medo e raiva contidos endurecem o organismo, contrariamente ao amor e à alegria que o suavizam. Nossos sentimentos provocam uma mobilização em nosso corpo: Um sentimento não é uma idéia ou uma imaginação — é um acontecimento energético no corpo. Existe algo que flui dentro de nós. Quando estamos felizes, nos esticamos, nos expandimos para o mundo. Quando temos medo, nos retraímos para dentro de nós mesmos.Nesse movimento, o que flui de lá para cá é nossa energia vital.”  Eva Reich

Estar presente no mundo, se inserir em seu movimento,  sentir, se expressar, não se estagnando em determinados padrões ou ideias paralisantes é estar vivo. Corporalmente, isso se manifesta por meio da mobilidade, da respiração ritmada e profunda e do fluxo da energia corporal.
Neurobiologistas já comprovam  a  dependência existente entre a emoção e a razão. A ausência da emoção e dos sentimentos pode afetar a racionalidade.


Os músculos encarregados da respiração, também são encarregados do movimento dos braços, de ir buscar algo, de fazer contato com o meio, com outras pessoas, de expressar, de colher o que necessitamos, de modificar e interferir com o meio. 

O tórax é a sede dos sentimentos profundos. Nele se encontra órgãos importantes como o coração, os pulmões e o timo. É também onde se localizam emoções e sentimentos profundos, é também o manancial da expressão profunda destes sentimentos.
Contrações crônicas neste grupo muscular impedem uma respiração profunda e fluída, por que os processos emocionais não podem ser percebidos pela pessoa, nem ser expressos. A conseqüência é um estado emocional de um stand by contido ou de um coração enjaulado.
 
 três modos de escapar da jaula. Um tem a ver com a garganta e a boca. Um coração rígido e uma garganta contraída dificulta um trânsito emocional, assim os beijos podem ser frios ou falsos. 

Outro canal de expressão é através dos braços e mãos, é só perceber como há abraços que não confortam, mãos que se tocam, mas não acariciam de fato ou mãos que se unem , como amigos que se dão as mãos ou pessoas enamoradas. 
O terceiro canal tem a ver com os genitais, aí é só perceber como mesmo tendo prazer sexual, muitos sempre se acham insatisfeitos e não demonstram ternura em suas relações.


Um tórax rígido dificulta qualquer expressão de amor em relação a outra pessoa, e não só sua expressão, mas também sua tomada de consciência. São feridas profundas de desamor que causam essa rigidez.
Nem sempre pudemos ser amados por quem queríamos, nem sempre podemos ser aceitos em nossa espontaneidade, mas essas feridas podem se tornar cicatrizes se nos abrirmos a possibilidade da existência do amor. 
Amor que podemos reaprender a ter por nós mesmos, em primeiro lugar. Afinal, se o outro não teve a possibilidade de nos amar é ele também que perdeu essa possibilidade de vivenciar o amor em sua plenitude.


Tania Jandira R. Ferreira
Psicoterapeuta
Tel: 981238174


quinta-feira, julho 30, 2015

PENSAR É TRANSGREDIR!



Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim.

Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada.
Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.

Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu.

Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.

Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano.

Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar.

Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes.

Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades.

Cada porta, uma escolha.

Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo.

Outras, para um jardim de promessas.

Alguma, para a noite além da cerca.
Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.




Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas.


Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores.
E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual.
É o poderoso ciclo da existência.
Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo.
Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história.


O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada.

Eventualmente reprogramada.
Conscientemente executada.
Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei.
Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional.
Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se.
Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim.
Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena.
Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.








segunda-feira, julho 20, 2015

CONFORMISMO E ACOMODAÇÃO... EU SEI, MAS NÃO DEVIA



Trago um pequeno e bom artigo de  Marina Colasanti, para não nos acostumarmos, para não nos conformarmos.



EU SEI, MAS NÃO DEVIA
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Aqui ele recitado por Antônio Abujamra


segunda-feira, junho 29, 2015

Racismo causa Sofrimento Psíquico!



Acabei de ler o artigo abaixo, que infelizmente me impacta, como profissional.
Como psicóloga com atuação clínica e social, entendo que a questão não é só de formação do jeito que o artigo cita. Qual a empatia ao sofrimento psíquico do outro? Essa é a formação necessária. Em mais de 2 décadas de trabalho, venho presenciando sofrimentos psíquicos de pessoas que sofreram e sofrem de discriminação racial, de orientação sexual, por ter origem em classes populares e por suas religiões e todos não haviam tido receptividade por parte de outros profissionais da área, por mais que nossos conselhos tenham discutido e legislado a respeito. Todos estamos imersos na realidade em que vivemos. Apoiar a reescrita da própria história é tarefa da psicoterapia, mas também de toda intervenção do psicólogo, onde quer que atue. Lamentável que alguns profissionais ainda não compreendam isso.


“Meu psicólogo disse que racismo não existe”

Depoimentos de pacientes revelam que muitos psicólogos não sabem lidar com questões raciais no consultório. A maior carência é uma formação que aborde o problema do racismo no Brasil
Por Jarid Arraes
Marília Lopes, mulher negra e professora universitária de 38 anos, procurou uma psicóloga porque sofria com depressão há muitos anos. Sentia que precisava de ajuda e que seu trabalho estava sendo severamente prejudicado. Na primeira sessão de psicoterapia, sentiu a necessidade de falar sobre as diversas situações em que sofreu racismo, contando de sua infância trabalhando como empregada doméstica e babá sob o pretexto de que estava “brincando com a filha da patroa”, até casos mais recentes, em que fora seguida dentro de lojas onde fazia compras. Ao final, a psicóloga – que era branca – afirmou que Lopes precisaria mudar o comportamento de “se vitimizar e transformar acontecimentos normais em racismo”.
Em busca de sua segunda psicóloga, Lopes chegou a fazer cinco sessões de psicoterapia, quando finalmente começou a falar do racismo que lhe causava sofrimento. “A psicóloga ficou visivelmente impaciente e desconfortável e me perguntou se eu achava mesmo que racismo ainda existia nos tempos de hoje”, relata Lopes. “Saí de lá arrasada, estava pagando muito caro por cada consulta e nunca imaginei que uma profissional fosse questionar a veracidade do meu sofrimento, do racismo, daquela forma. Nunca mais voltei a procurar terapia, hoje ainda luto contra a depressão e apenas faço uso de medicamentos”, completa.
O caso da professora Marília Lopes não está isolado da experiência de outras pessoas negras brasileiras. Para a bióloga Tereza Amorim, as consequências do despreparo profissional foram graves: “Comecei a fazer terapia com um psicólogo e tudo corria bem até que comecei a perceber que muitas das coisas que eu passava na vida aconteciam porque as pessoas eram racistas e me tratavam de forma discriminatória pelo fato de eu ser negra. Quando passei a falar sobre isso com meu terapeuta, ele primeiro começou a negar que aquelas coisas fossem racismo. Meu psicólogo disse que racismo não existe e depois passou a dizer que não existe mais racismo no Brasil, porque as ‘mulatas’ são valorizadas”.
Amorim conta que ainda enfrentou vários encontros com o psicólogo, até que descobriu um grupo de mulheres negras e feministas que se reuniam mensalmente em sua cidade. “Aos poucos, fui falando das minhas feridas provocadas pelo racismo e pelo machismo e entendi que elas eram parte de um problema social muito maior. A militância foi a minha terapia, a Psicologia não fez nada por mim”, declara.
O despreparo da Psicologia brasileira para lidar com questões raciais ainda é um fato preocupante. Em diversos grupos de discussões sobre racismo nas redes sociais, são recorrentes os pedidos por indicações de psicólogos capacitados para lidar com o problema do racismo. Entre tímidas recomendações, uma chuva de depoimentos frustrados aparece.
Para Cinthia Vilas Boas, psicóloga e militante do movimento negro, o problema começa nos cursos de formação. “A realidade está muito longe do que chamamos de transversalidade”, afirma. Embora o racismo seja um profundo problema no Brasil, a formação dos psicólogos ainda não reconhece a discriminação racial como uma fonte de adoecimento psíquico – se reconhecesse realmente, o tema não seria uma exceção conquistada pelos esforços de profissionais como Vilas Boas, que é colaboradora da atual gestão das subsede do Conselho Regional de Psicologia em Campinas, onde integra o grupo de trabalho sobre relações raciais.
Embora haja esforços para se debater racismo na Psicologia – principalmente por meio de atividades propostas por Conselhos Regionais como o da Bahia, o do Distrito Federal e o de São Paulo –, essas ações ainda são uma minoria no imenso contexto da Psicologia brasileira. Nenhum Conselho tem o poder de modificar as grades curriculares das faculdades e Universidades e inserir disciplinas ou bibliografias que abordem o racismo de maneira profunda, como é necessário que se faça. Por isso, na realidade diária, muitas pessoas negras continuam encarando a omissão e o despreparo dos psicólogos em seus consultórios privados – e muitas também não sabem que podem denunciar as práticas racistas e antiéticas.
Racismo e saúde mental
Encontrar dados que mostrem a relação entre racismo e adoecimento psíquico ainda é um desafio devido à carência de estudos e pesquisas acessíveis na área. O material que se encontra na internet é produzido por psicólogos militantes do movimento negro, como a publicação “Racismo e os efeitos na saúde mental” de Maria Lúcia da Silva, integrante do instituto AMMA Psiqué e Negritude.
Cinthia Vilas Boas: “Existe a discriminação institucional, quando profissionais da área não estão preparados para atender a população negra ou até são preconceituosos”
Cinthia Vilas Boas explica que há muitas consequências do racismo para a saúde mental e traça um breve resgate histórico da população negra brasileira: “Em África, éramos diversas etnias, com nossos referenciais, línguas, oralidade e educação; viemos para o Brasil escravizados, em condições sub-humanas, como animais; hoje estamos nas favelas, com falta de acesso a tudo, sofrendo com a falta de respeito e baixa autoestima”. Vilas Boas chama atenção para essa contextualização, explicando que a população negra brasileira não conhece sua ancestralidade e nem sua “história positiva”. “Se pensarmos que nossa construção enquanto humanos parte da visão que o outro tem e a história positiva não é contada, estamos em constante angústia. A nossa história nos foi negada, não foi contada e foi distorcida”, salienta.
Por isso, o sofrimento psicológico pode começar na falta de acesso a informação e da dificuldade de enxergar as pessoas negras como parte de algo bom, que trouxe contribuições para a história. Na escola, as crianças aprendem sobre a história europeia e sobre as descobertas realizadas por pessoas brancas, mas a história do continente africano e suas diversas riquezas e saberes é omitida. “O povo negro não se sente pertencente das suas realizações, das suas posições, das suas possibilidades, das suas contribuições. Isso causa um desequilíbrio, sendo assim um impacto na psiqué”, diz Vilas Boas.
O resultado desse ponto inicial é um ferida na autoestima, que leva pessoas negras a se enxergarem de maneira inferiorizada, pois são tratadas pelos outros como inferiores. Debaixo de humilhações constantes, sem representatividade positiva na mídia e até mesmo no entretenimento, vivendo sob os piores índices e indicativos sociais e, ainda, ouvindo o tempo inteiro que o racismo deixou de existir, o sofrimento psíquico é um destino certo.
Até mesmo a possibilidade de identificar a raiz do seu sofrimento é roubada das pessoas negras, mesmo quando conseguem romper muitas barreiras sociais e pagar um atendimento psicológico – algo que ainda é muito caro no Brasil. “Eu fiquei me questionando se não estava errado que duas psicólogas me dissessem que não existia racismo e que as dores que eu sentia eram criações da minha mente. Achei, por muito tempo, que eu estava totalmente louca e duvidei da veracidade dos fatos que eu vivi. Fiquei achando que nada havia realmente acontecido e eu estava com um problema mais grave do que depressão”, conta Marília Lopes. “Depois de muitos meses foi que consegui entender que fui mal atendida, mas só quero voltar a fazer terapia se a psicóloga ou psicólogo forem negros, quem sabe assim esse profissional tenha mais empatia e até tenha vivenciado fatos similares aos que me agrediram”, finaliza.
Mais desafios
“As políticas publicas estão aí; já pensamos, já falamos em conferências e agora precisamos tira-las do papel”, afirma Vilas Boas. “A Política Nacional de saúde da população negra, que pode diminuir disparidades raciais na saúde, é pouco conhecida, bem como a Lei 10.639, entre outras varias leis, campanhas e diretrizes. A fim de avançar no tema, o Conselho Federal de Psicologia criou a Resolução Nº 018 em 2002, que estabelece normas de atuação para psicólogas e psicólogos em relação ao preconceito e à discriminação racial”, explica. Porém, na prática, a realidade é outra. “Existe a discriminação institucional, quando profissionais da área não estão preparados para atender a população negra ou até são preconceituosos, levando a diferenças e desvantagens no tratamento devido à raça. Para o profissional da saúde, é importante trabalhar a equidade do SUS, é importante que ele saiba trabalhar as diferenças”.
A educação pode ser um ponto chave para modificar esse quadro – Vilas Boas explica que é necessário construir um espaço legitimo e confortável para que as pessoas negras construam sua identidade. “Sem piadinhas, sem que o estereótipo fale mais alto, sem que sejamos vistos como sujos, burros ou coitadinhos. A humilhação atinge o sujeito no que constitui, atinge o negro na sua presença”, protesta.  “Não queremos mais os atributos inferiores, fixados no nosso inconsciente. Queremos ser negras e negros protagonistas da própria história, da história da sociedade. Uma sociedade mais democrática e sem desigualdades. Que a gente possa fazer a diáspora de sentimentos, sabendo que sentimento é, de onde veio, como veio e aonde vai. Que a gente possa encontrar o equilíbrio para preservar a saúde mental”, almeja Vilas Boas.
Enquanto buscamos esse país livre de racismo, precisamos reconhecer o problema do racismo em todos os âmbitos sociais, sem que nenhuma prática profissional ou formação acadêmica fique isenta de sua responsabilidade. Não dá para ignorar um problema tão grave e fazer vista grossa para o despreparo profissional de psicólogos que não conseguem lidar com as questões raciais. O ensino de Psicologia precisa mudar.
“O negro com muita melanina é invisível, tem a voz calada. O negro com pouca melanina é desconsiderado e muitas vezes não sabe a que grupo étnicorracial pertence. Onde guardamos e como e vivemos a nossa subjetividade? Quem são as pessoas que estão produzindo na academia? São brancas ou negras? Estão produzindo o que?”, provoca Cinthia Vilas Boas.
A resposta pode não ser confortável, mas encará-la é o primeiro passo para que a saúde mental deixe de ser um privilégio de poucos. O racismo precisa ser reconhecido e combatido para que exista, de fato, saúde mental.




segunda-feira, junho 22, 2015

A arte do sentir, é um ato de coragem!



Os sentimentos e emoções ao longo da história da humanidade foram vistos como algo a ser controlado, contido.
“Emoções e sentimentos estão na ordem do “sentir”. O controle está na ordem do “pensar”.
Mas será que existe uma dicotomia nisso? Mente e coração, razão e emoção, racional e irracional?
O que sentimos está dissociado de nossos conceitos sobre algo ou alguém?
Aprendemos a expressar nossos sentimentos ou aprendemos a contê-los, reprimi-los, escamoteá-los?


Se alguém entende  que o  chamarem de negligente ou incapaz é humilhante e ofensivo e há sempre uma pessoa que faz isso, aonde está limite do que se pensa  ou o que sente?
Pessoas que tem uma história de pessoas significativas em suas vidas lhe julgarem desta forma, podem adquirir reações agressivas, diante deste fato e responderem as ofensas e humilhações, com raiva, outros insultando aqueles que julgam estarem lhe ofendendo.
Enquanto não se reconhece o que se sente, também não se reconhece que a resposta agressiva é uma reação a um histórico de vida, uma defesa, e assim não há como controlar ou conter a raiva, toda vez que se sentir ofendido.
Outros ainda que tem uma história de pessoas significativas em suas vidas lhe julgarem desta forma, podem adquirir reações de insegurança e medo. Diante da ofensa, se calam, se tornam angustiados, choram.
Outros ainda, acabam não valorizando suas potencialidades e tornam-se hiper exigentes, consigo mesmo.
Cronificaram a sua resposta.

Pessoas que sentem-se capazes, podem ter diferentes respostas e reação a alguém que lhe considera incapaz ou negligente.
Complica ainda mais, por que cada um de nós tem uma história, cada um tem uma forma de ver o mundo e dar resposta a este mundo. Alguns vão tolerar essas falas sobre si e não dar importância.
Complica ainda mais, por que cada um de nós tem uma história, e se pode estar passando por um período onde a pessoa, mesmo capaz, esteja não se sentindo com confiança em uma determinada situação  que esteja atravessando e com isso, reaja de acordo com seu sentimento sobre si, naquele momento.

Complexifica ainda mais, por que vivemos numa sociedade, que impregna corações e mentes, de que todos podem ter sucesso se forem persistentes, batalhadores e criativos, que tenham meta e foco. Exemplificam essa tese, com casos excepcionais, de pessoas muito bem sucedidas profissionalmente, com fama e muito dinheiro, um relacionamento feliz e sempre companheiro, diversão e lazer sempre e muita alegria estampada no rosto.
Congelamos as emoções, se vive para mostrar que se é feliz, mesmo que o sentimento seja outro.

Aqueles que não conseguem, podem cada vez ter menos auto estima,  como também começarem a sentir inveja e ciúme, do outro que consegue; como outros que conseguem podem começar a olhar os outros, como incapazes e negligentes e a si próprios como vencedores e superiores.
Vivemos numa sociedade capitalista, onde cada vez se exige mais dos trabalhadores. Profissões são extintas, funções são eliminadas em nome do lucro, fazendo com que pessoas exerçam e desempenhem vários papéis em um trabalho, jornadas são intensificadas, trabalhos não remunerados no cotidiano e compromissos particulares continuam sendo necessários e com isso se perde a noção do que o outro realmente sente.

A maior parte das pessoas dissociou seu sentir e pensar. Não consegue expressar seu sentimento, por que afastou-se dele.
Sentir é perigoso para estas.
Ainda mais quando esse sentir é misturado com coisas de ontem, de sua história e de hoje, sua história ainda.

Sentir é um ato de coragem. É poder estar vivendo de fato, mesmo que em alguns momentos isso incomode, machuque.
Sentir é ás vezes confuso, pois se tem um mix de sentimentos e emoções.
Sentir faz com que evitemos algumas pessoas e coisas e nos aproximemos de outras.

Expressar sentimentos também é ato de coragem. Numa sociedade individualista é incomodar.
Mesmo não expressando seu corpo revela, é o peito estufado e arrogante, as nádegas contraídas do medo, os olhos sem viço. Cada sentimento não expresso verbalmente é  expressado no corpo.
Não espere uma crise para revelar a si mesmo que algo em si ou em sua lhe incomoda.
Muitos falam que  a vida é uma peça e que somos atores nela. De atores o mundo está cheio, mas estes vivem ás vezes o mesmo papel, de revoltados, tristes, felizes, polidos e infelizes, invejosos, ciumentos, super bem sucedidos, etc, mas esse é apenas um papel, não é viver de fato.


Não espere uma crise para descongelar  seus sentimentos e poder reescrever sua história. Seja autor de sua vida. É possível reescrevê-la, se for de sua vontade.





Tania Jandira R. Ferreira
Tels: 98123-8174/ 2501-5418


quinta-feira, março 26, 2015

FANATISMO, INTOLERÂNCIA RELIGIOSA E PSICOSE






Esta semana, no dia 24/03, uma mulher com uma enxada, atacou a imagem de Nossa Senhora da Piedade, na igreja matriz de Belo Oriente. O sacerdote contou que enquanto a mulher desferia as enxadadas, conversava com a imagem, perguntando se “não ia reagir” e cantava músicas cristãs. Levada a delegacia, sem resistir a mulher não comentou a motivação de seu ato.

Estaríamos presenciando mais um ato de intolerância religiosa? Uma crise psicótica, movida por intolerância religiosa? Uma crise psicótica movida por delírios religiosos? Um fenômeno de possessão por espíritos malignos?

Delírios religiosos, associados a psicose sempre existiram, o que mudou foi a sua percepção através do tempo, pela psiquiatria. Na antiguidade, tudo que não fosse da religião “oficial”(cristã) era visto como superstição e delírio religioso. Ainda no século XX fenômenos de incorporação ou possessão, falar com espíritos ou vê-los, de religiões espiritualistas eram vistos desta forma. Apesar do mesmo, não ser visto como tal, quando eram de pessoas cristãs, onde esse fenômeno era concebido como “transes místicos divinos”. Não precisamos ir muito longe, é só lembrar de Joana D’Arc ou as mensagens recebidas de Maria de Fátima, por 03 crianças em 1917, até hoje lembrados por diversos cristãos.

Ao mesmo tempo, a crença que doenças podem ser causadas por espíritos ou demônios é compartilhada por diversas religiões, espiritualistas ou não. Não é por acaso que ainda hoje existe o exorcismo da Igreja Católica ou se faz descarrego nas Igrejas neo pentecostais. São estes últimos que mais vivem lembrando a existência do Demônio ou demônios e como ele exerce influencia para prática de outras religiões, que na sua compreensão “cultuam imagens” ou “cultuam o próprio demônio”, a ponto de religiões de matriz africana considerarem que os neo evangélicos demonizam suas religiões.

A relação entre delírios religiosos e religiosidade tem sido objeto de estudo pela psiquiatria há muito tempo. O que hoje se destaca é que estes devem ser observados e analisados diante do contexto sócio cultural da pessoa e no ambiente em que a pessoa vive e transita.

A psiquiatria atualmente considera estes delírios como um sintoma, onde seu conteúdo espiritual, místico ou religioso, são transtornos delirantes, com presença de alucinações visuais e auditivas, que podem incluir assassinato, suicídio e até auto mutilação. Eles podem incluir também delírios de grandeza (ser escolhido por Deus para fazer algum ato), ou de perseguição e controle ( vozes que indicam praticar um ato, para punir pecadores). Atos de violência podem ocorrer quando o delírio é persecutório e de controle. Um estudo sobre esse assunto de 2010, indica que “as pessoas que experimentam delírios religiosos estão preocupados com temas religiosos que não estão dentro das crenças esperados para o fundo de um indivíduo, incluindo a cultura, educação e experiências conhecidas de religião.

Em 2013, a comunidade afro brasileira foi pega de surpresa com um desses atos de delírio religioso, quando Yá Mukumby, líder do Candomblé e do Movimento Negro de Londrina, foi morta a facadas, por seu vizinho. Além de Yá Mukumby mais 03 pessoas foram mortas; sua mãe e neta e a própria mãe do rapaz em surto. Os relatos da época contam que ele pulou nu e atacou a família vizinha, após matar sua mãe que defendia sua mulher dele. Os relatos da época também contam que o rapaz no mesmo dia, havia realizado um trabalho e como estivesse falando coisas desconexas, amigos chamaram a ambulância e sua mulher. No hospital, foi atendido, medicado e liberado. Os crimes aconteceram, pouco tempo após chegarem em casa. No Terreiro de Yá Mukumby o rapaz também quebrou várias imagens.

Se a psicose é um distúrbio da percepção da realidade e seu estado se caracteriza por agitação, agressividade e impulsividade creio que em momentos de atos que não conseguimos pela lógica e percepção da realidade entender, não nos deixar levar pelos mesmos sentimentos.

As psicoses são transtornos mentais que afetam a capacidade da pessoa de discernir entre o que é e o que não é real. Seus sintomas mais característicos são: delírios, alucinações, desorganização do pensamento, da comunicação, e isolamento social. No caso de delírios religiosos os exemplos citados anteriormente são os mais comuns. Como são percepções que se repetem e se tornam fixas é muito difícil convencer a pessoa a perceber a natureza de seus pensamentos. Devido a estas vivências perturbadoras e de difícil compreensão, a pessoa afetada tende a se afastar de seus amigos e familiares, tendo dificuldade em manter seu trabalho ou os estudos como anteriormente.

É importante que a família ou pessoas próximas, identifiquem os sintomas e levem a pessoa a tratamento. O ideal é que a pessoa em sofrimento psíquico seja atendida por um psiquiatra, tenha prescrição de remédios e tenha atendimento psicoterapêutico, com psicólogo.

Mesmo este tratamento existindo de fato, é importante que se perceba quando há retorno de sintomas e se aja rápido. Serviços e profissionais de saúde precisam ser responsáveis. Em muitos casos, perceber e diagnosticar a pessoa em surto pode levar a internamento, para que em crise a pessoa não cometa atos contra si ou outros.

De outro lado, se como Bleuler comentou “os doentes nunca alucinam ou deliram por coisas insignificantes ou neutras do ponto vista afetivo” é importante que percebamos e combatemos todas as formas de fanatismo e intolerância religiosa, presentes no mundo. Estas tem contribuído em muito, para que delírios religiosos não tenham sido visto como transtornos mentais a serem tratados pela ciência. Alguns atos são estimulados e vistos como “normais” por alguns religiosos, que em seus púlpitos estimulam ataques a outras religiões e seus símbolos.

Tania Jandira R. Ferreira
Psicóloga Clínica e Social
Militante contra a intolerância Religiosa