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terça-feira, dezembro 29, 2015

É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.



Para Wilhelm Reich, o “núcleo biológico” ou “núcleo vital” é o coração. Ele é a fonte de energia positiva dos seres humanos, que exprime a capacidade de amar e que une o indivíduo ao cosmos.
É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.

Nos últimos 20 anos, pesquisadores vem trazendo outras informações sobre o coração,  como Cindy Dale, em seu livro The Subtle Body (O Corpo Sutil)

“O coração é o centro físico de um sistema circulatório com 75 trilhões de células. É também o centro eletromagnético do corpo, emanando 5 mil vezes mais eletromagnetismo que o cérebro e seis vezes mais eletricidade. Cerca de 60 a 65% de suas células são neurais, exatamente como os neurônios cerebrais”.

Estudos científicos, como o de Joseph Chilton Pearce no livro The Biology of Transcendence (A Biologia da Transcendência),  indicam  que dentro do coração há um “pequeno cérebro”, um sistema nervoso independente, com aproximadamente 40 mil neurônios. Esse núcleo é gerador de uma inteligência própria,  que processa informações e  envia sinais para o sistema límbico cerebral (responsável pelo processamento das emoções) e para o neocórtex (a parte onde acontecem os pensamentos).
 Existe um fluxo constante de troca de informações do cérebro para o coração e do coração para o cérebro.
 “Nosso cérebro emocional-cognitivo tem uma conexão direta e neural com o coração. Por meio das conexões entre os neurônios, sinais positivos e negativos de nossas respostas ao momento presente são enviados a cada momento para o coração... O sistema neural do coração não tem capacidade de perceber ou analisar em detalhes o contexto dessas mensagens emocionais e mentais que nos chegam do sistema cerebral límbico e cortical, mas é capaz de validar essas mensagens positivas ou negativas respondendo eletromagneticamente com frequencias coerentes (suaves e harmônicas, que surgem diante de emoções positivas) ou incoerentes (desiguais e desarmônicas, manifestadas diante de emoções negativas) e dar partida a várias reações corporais. Dessa maneira, o cérebro, o corpo e o próprio coração são capazes de responder inteiramente à realidade circundante”.


Outros estudos Joseph Pearce indicam que campo eletromagnético do coração e sua amplitude permite que haja influência entre campos de pessoas.
“Basicamente, um campo eletromagnético contém informação. Se nossos campos se comunicam e ressoam em conjunto, estamos trocando informação de forma não consciente.”



A importância do coração é também expressada por várias tradições religiosas, que só agora os cientistas estão descobrindo e Reich já citava.
“O coração inteligente é o grande segredo de todas as tradições espirituais. Estar em sintonia com essa vibração harmônica nos faz mais cooperativos, criativos, abertos e menos agressivos e competitivos... “Esse é o caminho que vai nos tirar do caminho da destruição para o caminho da regeneração” Gregg Braden,geólogo e pesquisador. (Gregg Braden).
As diferentes formas de budismo localizam a mente no coração, não no cérebro.
Muitos lamas tibetanos, quando falam sobre a mente em seus ensinamentos, apontam na direção do meio do peito.
Na medicina chinesa, o coração é considerado a sede da inteligência e recebe o nome de imperador.
Para a maioria das tradições orientais, o coração (ou o meio do peito) é a porta para uma realidade transcendente.
Para os estudiosos de Chakras, o cardíaco fica no  centro do coração. Sua função essencial é a compaixão. A habilidade de amar profundamente e de formar relacionamentos fortes e inerentes à condição humana.
Na cultura Africana Bantu, a cabeça (Ori) vem em segundo plano, pois o coração ( Muxima) é o elo mais importante do ser humano.



Eles dizem:
“Uma cabeça pode ser inteligente, mais sem coração não presta para a aldeia.
Uma cabeça pode criar coisas, mais sem coração as coisas não terão serventia para a aldeia.
Uma cabeça pode ser bem feita e bela, mais sem coração não chamará a atenção para o matrimônio.
Uma cabeça pode ser de um ótimo guerreiro, mais sem coração ele lutará apenas para si mesmo.”
 

Reich afirmou que a “ tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa de sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual “ e que  Se uma pessoa encontra obstáculos intransponíveis nos seus esforços para experimentar o amor ou a satisfação das exigências sexuais, começa a odiar”. Nestes nossos tempos, de relacionamentos líquidos, de tantas expressões de raiva e ódio, não há como para mim, não lembrar de Reich
que foi acusado de ser utópico e querer eliminar o desprazer do mundo, por quem não o compreendia. Para ele:

Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.”

O que Reich nos propôs continua atual, é nossa luta para nos humanizarmos e com isso sermos capazes de amar e ser potentes diante da vida.
Tania Jandira R. Ferreira – dezembro/2015.