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sexta-feira, fevereiro 24, 2017

O Afeto é Revolucionário

Pessoas duras e rígidas não conseguem se relacionar de forma satisfatória com o meio exterior. Há um bloqueio de energias afetivas e emocionais. Não se consegue mais dar e receber carinho ou afeto de qualquer espécie. Logo, se tornam incapacitados de interagir, de amar e serem amados.

Os bloqueios impedem ser  carinhosos e amorosos. Ficam violentos com facilidade e não conseguem manifestar seu amor verdadeiramente ao outro. Eles se sentem vazios e  percebem que nada está sendo trocado. Na verdade um não pode sentir o outro.

 Vivemos em tempos de instabilidade. Amor e trabalho encontram-se em profundas transformações. Se no passado eram vistos como formas seguras de convivência, ao mesmo tempo eram rígidos e nem sempre democráticos. Hoje há muita instabilidade nesses dois aspectos da vida.
Diante das inseguranças no amor e incertezas no trabalho, as pessoas pretendem compromissos emocionais seguros no trabalho e no amor. Trabalho e amor exigem dedicação.
A busca de sucesso no trabalho, assim como as inquietudes em relação ao trabalho podem levar a perda da importância da família ou das relações amorosas. Essas relações tornam-se rígidas e burocráticas. Um “compromisso” social, sem afeto.

Algumas das causas da dificuldade de uma relação permanente estão no enfraquecimento do desejo sexual e na falta de ternura entre os parceiros.
Ser potente é quando não dissociamos a sexualidade terna e a sensualidade.
Quando uma emoção é gerada no interior psíquico de um ser humano ela libera uma quantidade de energia que passará a fluir em forma de ondas por todo o corpo humano. Essa energia interagirá com todas as células do corpo humano. Assim ocorre a interação corpo e mente.
Tania Jandira R. Ferreira
Fevereiro/2017.

quarta-feira, setembro 07, 2016

Solidão é falta de conexão afetiva real


A  solidão é um sentimento de isolamento social que tem se tornado muito comum no mundo. Afeta crianças, jovens, adultos e idosos.

Ele pode ser traduzido pela dificuldade de sintonia com outras pessoas, mesmo estando rodeado de gente, ter amigos e familiares.

Inicialmente a pessoa pode estabelecer relações com outras, mas como sente que não há sintonia ou reciprocidade, tende a se isolar. O isolamento para estas pessoas é melhor que a dor emocional, o sentimento de rejeição ou vergonha de si e de seu estado.

Pessoas que sentem-se solitárias, geralmente também apresentam quadros de angústia, depressão e hostilidade, o que pode gerar um círculo vicioso, estabelecendo relações negativas com outras pessoas.

As consequências físicas deste estado quando se torna crônico são: eleva-se os níveis de cortisol (o hormônio do estresse), a imunidade diminui ( há uma redução  de nossa proteção contra os vírus e inflamações e aumentamos o risco e a gravidade de infecções virais), o sono é interrompido, fazendo com que a pessoa acorde esgotada. Isso acontece por que outro sentimento que acompanha o estado de solidão é ver o mundo como pouco seguro e hostil. Com isso, a pessoa está permanentemente alerta contra perigos sobre si.

Pesquisas vem demonstrando, que uma em cada quatro pessoas em países industrializados pode estar vivendo na solidão. Como este é um estado emocional que normalmente vem acompanhado de tristeza e irritação e é um estado emocional estigmatizado em nossa sociedade atual, há poucas chances de familiares e amigos perceberem que a pessoa esteja pedindo ajuda e uma conexão real e afetiva com ela.

Caso a pessoa procure ajuda psicológica e reconheça seu estado, conforme vai melhorando a qualidade das relações sociais, seu estado de saúde física também vai melhorando: melhora a pressão arterial, os níveis de hormônios do estresse, os padrões de sono, as funções cognitivas e o bem-estar geral.

Seres humanos necessitam de vínculos afetivos. Precisam da companhia, do carinho, da proteção, da amizade, do compartilhar. 
Ter  paciência e empatia com outro atualmente é algo pouco comum. Como diz Zigmund Bauman, vivemos um tempo “onde o amor é mais falado, que vivido”.

Para pessoas que sofrem de solidão o apoio de amigos e familiares, compartilhar bons momentos, reforçar laços afetivos que existiram, pode ser um fator que possibilita  recuperar a confiança no mundo, no outro e nos   vínculos sociais e afetivos que reduzem a  solidão crônica.

Para melhor entender a solidão que o outro sente, trago Alceu Valença.

Tania Jandira R. Ferreira

Setembro/2016

quinta-feira, maio 05, 2016

Sobre cuidados e auto cuidados



Ontem, no elevador indo ao meu consultório,  ouvi de uma senhora ao celular, que precisava desligar o telefone por que estava indo ao psicólogo e ele ia dar uma bronca nela, por que sempre tinham várias pessoas ligando.
Perguntei  a ela se o terapeuta estava errado. Ela não me respondeu.
Eu disse que a terapia é um espaço para a pessoa, ás vezes o único espaço que a pessoa tem para se cuidar. Disse também que muitas vezes há pessoas que nos ligam sem necessidade e se deixamos não temos como nos cuidar.
Ela me sorriu sem graça e disse que com ela é assim.
Estávamos chegando  ao andar que ela ia.
Me despedi, me desculpando pela intromissão. Disse que sou psicóloga e ás vezes o que ela entendia como bronca, era um toque. Ela me sorriu, desta vez não sem graça. Me deu um tchau com um sorriso largo.


Fiquei pensando. Nossa  sociedade  imputa as pessoas que cuidem de outros e algumas pessoas assim deixam de se cuidar.
Cuidar do outro é um valor ainda para muitos, embora vivamos em uma sociedade individualista e egoísta; mas muitos ainda precisam se repensar pois acabam deixando de cuidar de si mesmos e vivem deixando os auto cuidados de lado.
Como alguém que não se cuida pode cuidar de outros? Como vai ensinar pelo exemplo que cada um precisa se cuidar?
Algumas pessoas deixam de se cuidar, com a justificativa de que outros precisam delas, mas não percebem que estão se saturando e nem sempre vão receber o cuidado de quem cuidam, quando necessitarem. Depois, quando isso acontece, falam de ingratidão. E vão estar sós, por que a sua volta, só conseguiram pessoas que não a vêem como pessoas que  hora cuidam, hora precisam de cuidados. Afinal, todos precisamos em algum momento do outro.

Fiquei pensando também no que cada um vê como “erro”. No caso que relato, será que a senhora entende que é um erro não ter um tempo para si? Talvez não. Talvez  sua crença é de que muitos precisam dela.


Fiquei pensando também no que cada um vê como “bronca”. Um toque mais sério do psicólogo? Um toque sem um olhar carinhoso?
Quando um cliente traz isso para a terapia, podemos trabalhar essa compreensão. Nem tudo pode ser carinho, apesar de poder ser compreensão.

A terapia não é só palavra. Nossos olhos falam, nossas expressões faciais nos revelam.  E esses sinais acontecem a cada instante, não só na terapia.
As pessoas “aprendem” e “apreendem” que suas ações são afirmadas ou refutadas pelo outro, através também de sinais corporais.
Terapia é um espaço/tempo curto, mas é também uma aprendizagem que devemos levar para nosso cotidiano, se de fato, se quer modificar o que traz insatisfação na vida.
Terapia é processo, de um jornada pessoal e única, onde o terapeuta é companheiro de estrada.

Por acaso, passei na estrada dessa senhora, por um curtíssimo tempo. Sou uma profissional do cuidado.
Dei um toque sorrindo, mas ao mesmo tempo séria, por que em minha prática vejo muitas pessoas como ela. Se o toque ajudou? Talvez... por um breve tempo... talvez... mas o sorriso dela ao final se despedindo, não me pareceu de alguém que levou um bronca. Isso me deixou bem, por ter me intrometido em algo sem que me pedissem.

Fiquei pensando. Em uma sociedade aonde o carinho é artigo de luxo, muitos não vêem como carinho um toque de cuidado.

Fiquei pensando, cada um pode fazer algo, mesmo que seja pequeno.

Mais não pensei.
Clientes me aguardavam e cada um no seu tempo, cada um com suas crenças, cada um com sua história, cada um com sua história sobre o que é cuidar e ser cuidado.
Em cada estrada que sou companheira, um passo de cada vez.

Tania Jandira R. Ferreira
Maio/2016


terça-feira, abril 19, 2016

O racismo é promotor de transtorno mental e adoece

Repasso o excelente artigo sobre o racismo na visão da psicologia:
"Em 2016, a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu o tema racismo como preocupação central para o ano de 2016, abordando temas como a violência simbólica, física e policial contra os não-brancos do país. Mesmo com a resolução nº 018/99 do CFP, que estabelece as normas de atuação dos psicólogos em relação ao preconceito e à discriminação racial, os casos de racismo na atuação da Psicologia ainda persistem. A Psicologia entende que o racismo é promotor de transtorno mental e adoece.

Expressões, comportamentos e brincadeiras preconceituosas são, na maioria das vezes, banalizados e reproduzidos sem que as pessoas identifiquem a ação racista. Na Psicologia, ações como essas podem repercutir no atendimento ao paciente que procura um profissional que, muitas vezes, não está preparado para identificar as situações de preconceito às quais essa pessoa é submetida, repetindo o mesmo preconceito ao qual essa pessoa foi exposta. Do outro lado, também, são inúmeros os relatos de profissionais que sofrem racismo por parte dos pacientes.

A psicóloga Maria Aparecida Bento, doutora em Psicologia e integrante da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia e do GT de relações raciais da autarquia, aponta que o cenário de preconceito se agrava ainda mais quando consideramos a situação das mulheres negras no Brasil, que hoje representam 25% da população.

“As mulheres negras enfrentam situações ainda bem complicadas em algumas áreas. No mercado de trabalho há uma grande exclusão das mulheres negras. Nos últimos censos que tenho feito em grandes empresas, você tem um desafio para mulheres brancas que é de ascensão, mas há uma inserção crescente das mulheres em geral que beira, às vezes, 40% ou 50%, mas a média das mulheres negras raramente ultrapassa os 9%. Então, quando se avança na questão de gênero não estamos avançando em relação às mulheres negras. O grande desafio é pressionar cada vez mais as instituições e trazer esse assunto à baila para dizer que é preciso mudar essa situação de exclusão, de subqualificarão, de sub-representação”, defende.

Outra situação que expõe a vulnerabilidade das mulheres negras na sociedade são os dados do Mapa da Violência 2015. O relatório elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais (FLACSO) mostrou que o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período.
A psicóloga Maria Conceição Costa, doutoranda em psicologia clínica na Universidade Católica de Pernambuco, aborda outros dois aspectos que revelam outras formas de discriminação às mulheres negras, naturalizados em nossa sociedade. Ela defende a regulamentação da comunicação pelo Estado para cobrar dos veículos de comunicação uma postura de não promoção e reprodução do racismo.

“A mídia brasileira, especialmente falando das televisões e dos jornais impressos, ainda coloca a mulher negra, a pessoa negra, numa situação muito degradante. Nas novelas, as mulheres negras estão nos papeis de empregadas domésticas, de babás, quando avançam um pouquinho são professoras. Ainda é um aspecto forte do racismo que precisamos combater, porque para a mulher negra ainda são dadas as piores posições de trabalho. Isso fica no subjetivo das mulheres negras, mas também das meninas; se o Estado brasileiro não regulamenta a sua comunicação e a sua mídia, isso vai demorar a acabar. E é obrigação do Estado regulamentar, nenhuma televisão pode degradar nenhuma figura de mulher ou homem negro. A mídia, de um modo geral, eles precisa ser regulamentada porque mantém e reforça essa estrutura perversa que é o racismo brasileiro”, defende.

Em 2015, diversas psicólogas negras de todo o Brasil participaram, em Brasília, da Marcha das Mulheres Negras. Durante o evento, que teve como tema “Contra o racismo, a violência e pelo bem viver”, as psicólogas denunciaram que o racismo é causador de transtorno psíquico e adoece.
A RádioPSI preparou um especial para abordar temas que são prioritários no debate sobre Psicologia e mulheres.  Veja a programação da rádio e ouça esta e outras entrevistas: http://site.cfp.org.br/multimidia/radiopsi/ 

Artigo no site:


O QUE É EMPATIA? A FALTA DELA SERÁ UMA DAS DOENÇAS DE NOSSO TEMPO?

 A EMPATIA   significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. É uma tentativa de compreender sentimentos e emoções  que sente outro indivíduo.

A palavra tem origem no termo em grego empatheia, que significava "paixão.

Ela é um dos fundamentos da identificação e compreensão psicológica de outros indivíduos.Na psicoterapia , por exemplo, a empatia significa a capacidade de um terapeuta de se identificar com o seu cliente, havendo uma conexão afetiva e intuitiva.

Preocupada com a falta de Empatia no mundo atual, descobri um texto curtinho que compartilho para reflexão:

"A maturidade emocional está intimamente ligada à capacidade de sentir empatia. 
É a capacidade de se colocar no lugar do outro que faz com que tenhamos a abertura para ouvir as várias respostas para uma mesma pergunta e entender que não há verdade absoluta. Que a sua necessidade não é menos importante que a minha.
Sem empatia há corruptos, traidores, violentos, assassinos, aproveitadores, sem-palavras, charlatões, enrolões, abusadores, perversos, impacientes, intolerantes, presunçosos, folgados, procrastinadores, indiferentes.
Sem empatia, há contratos quebrados, acordos não cumpridos, identidades roubadas, lares destruídos, milhões desviados, trabalhos mal feitos, filas cortadas, favorecimentos ilícitos, chutes nos carros, cortadas no trânsito.
Sem empatia, alguns acreditam ser mais merecedores que outros e, portanto, se dão à comodidade de serem cegos, surdos e mudos para qualquer necessidade que não seja a sua própria. Sem empatia há o “venha a nós, mas ao vosso reino, NADA”.
A falta de empatia é o câncer do mundo, mas sua presença, a cura dele."
 

terça-feira, dezembro 29, 2015

É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.



Para Wilhelm Reich, o “núcleo biológico” ou “núcleo vital” é o coração. Ele é a fonte de energia positiva dos seres humanos, que exprime a capacidade de amar e que une o indivíduo ao cosmos.
É a capacidade de amar, de expressar nosso amor que nos torna potentes diante dos desafios da vida.

Nos últimos 20 anos, pesquisadores vem trazendo outras informações sobre o coração,  como Cindy Dale, em seu livro The Subtle Body (O Corpo Sutil)

“O coração é o centro físico de um sistema circulatório com 75 trilhões de células. É também o centro eletromagnético do corpo, emanando 5 mil vezes mais eletromagnetismo que o cérebro e seis vezes mais eletricidade. Cerca de 60 a 65% de suas células são neurais, exatamente como os neurônios cerebrais”.

Estudos científicos, como o de Joseph Chilton Pearce no livro The Biology of Transcendence (A Biologia da Transcendência),  indicam  que dentro do coração há um “pequeno cérebro”, um sistema nervoso independente, com aproximadamente 40 mil neurônios. Esse núcleo é gerador de uma inteligência própria,  que processa informações e  envia sinais para o sistema límbico cerebral (responsável pelo processamento das emoções) e para o neocórtex (a parte onde acontecem os pensamentos).
 Existe um fluxo constante de troca de informações do cérebro para o coração e do coração para o cérebro.
 “Nosso cérebro emocional-cognitivo tem uma conexão direta e neural com o coração. Por meio das conexões entre os neurônios, sinais positivos e negativos de nossas respostas ao momento presente são enviados a cada momento para o coração... O sistema neural do coração não tem capacidade de perceber ou analisar em detalhes o contexto dessas mensagens emocionais e mentais que nos chegam do sistema cerebral límbico e cortical, mas é capaz de validar essas mensagens positivas ou negativas respondendo eletromagneticamente com frequencias coerentes (suaves e harmônicas, que surgem diante de emoções positivas) ou incoerentes (desiguais e desarmônicas, manifestadas diante de emoções negativas) e dar partida a várias reações corporais. Dessa maneira, o cérebro, o corpo e o próprio coração são capazes de responder inteiramente à realidade circundante”.


Outros estudos Joseph Pearce indicam que campo eletromagnético do coração e sua amplitude permite que haja influência entre campos de pessoas.
“Basicamente, um campo eletromagnético contém informação. Se nossos campos se comunicam e ressoam em conjunto, estamos trocando informação de forma não consciente.”



A importância do coração é também expressada por várias tradições religiosas, que só agora os cientistas estão descobrindo e Reich já citava.
“O coração inteligente é o grande segredo de todas as tradições espirituais. Estar em sintonia com essa vibração harmônica nos faz mais cooperativos, criativos, abertos e menos agressivos e competitivos... “Esse é o caminho que vai nos tirar do caminho da destruição para o caminho da regeneração” Gregg Braden,geólogo e pesquisador. (Gregg Braden).
As diferentes formas de budismo localizam a mente no coração, não no cérebro.
Muitos lamas tibetanos, quando falam sobre a mente em seus ensinamentos, apontam na direção do meio do peito.
Na medicina chinesa, o coração é considerado a sede da inteligência e recebe o nome de imperador.
Para a maioria das tradições orientais, o coração (ou o meio do peito) é a porta para uma realidade transcendente.
Para os estudiosos de Chakras, o cardíaco fica no  centro do coração. Sua função essencial é a compaixão. A habilidade de amar profundamente e de formar relacionamentos fortes e inerentes à condição humana.
Na cultura Africana Bantu, a cabeça (Ori) vem em segundo plano, pois o coração ( Muxima) é o elo mais importante do ser humano.



Eles dizem:
“Uma cabeça pode ser inteligente, mais sem coração não presta para a aldeia.
Uma cabeça pode criar coisas, mais sem coração as coisas não terão serventia para a aldeia.
Uma cabeça pode ser bem feita e bela, mais sem coração não chamará a atenção para o matrimônio.
Uma cabeça pode ser de um ótimo guerreiro, mais sem coração ele lutará apenas para si mesmo.”
 

Reich afirmou que a “ tendência destrutiva cravada no caráter não é senão a cólera que o indivíduo sente por causa de sua frustração na vida e de sua falta de satisfação sexual “ e que  Se uma pessoa encontra obstáculos intransponíveis nos seus esforços para experimentar o amor ou a satisfação das exigências sexuais, começa a odiar”. Nestes nossos tempos, de relacionamentos líquidos, de tantas expressões de raiva e ódio, não há como para mim, não lembrar de Reich
que foi acusado de ser utópico e querer eliminar o desprazer do mundo, por quem não o compreendia. Para ele:

Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.”

O que Reich nos propôs continua atual, é nossa luta para nos humanizarmos e com isso sermos capazes de amar e ser potentes diante da vida.
Tania Jandira R. Ferreira – dezembro/2015.